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01 de março de 2026
Apresentação em Congresso: Diagnóstico Tardio em Idosos no Transtorno do Espectro Autista (TEA)

No dia 20 de novembro de 2025 tive o prazer de apresentar a comunicação oral "Diagnóstico Tardio em Idosos no Transtorno do Espectro Autista (TEA): Um Estudo de Caso" no 7° Congresso Brasileiro de Psicologia: Ciência e Profissão, em Brasília 🥰


É um tema muito especial que foi desenvolvido a partir da experiência com uma paciente idosa que buscava respostas sobre seu funcionamento cognitivo e emocional. O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é exclusivo para crianças: uma parcela de adultos e idosos seguem sem o diagnóstico adequado, resultando no agravamento dos sintomas e dificuldades de adaptação. Em partes, é possível entender o porquê dessa exclusão etarista, visto que o autismo surgiu pela primeira vez no Código Internacional de Doenças em 1975 através de uma perspectiva bem limitante de Psicose Infantil. Em 1994, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - IV definiu o autismo como uma das subcategorias dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Somente em 2013 surge a ideia de espectro, tornando-se Transtorno do Espectro Autista, estabelecendo diferentes níveis de suporte e substituindo diagnósticos antigos como Síndrome de Asperger. Então sim, a visão estruturada que temos hoje do TEA enquanto transtorno do neurodesenvolvimento é algo muito recente. Essa situação me fez perguntar "mas e aqueles que já passaram por isso décadas atrás?".


Idosos no espectro existem e, muitas vezes, podem estar enfrentando uma vida cheia de desafios no que se refere à saúde mental. Sem receber o tratamento adequado, os sintomas tendem a ir se intensificando com o passar dos anos, podendo alcançar níveis críticos e desenvolver comorbidades. A avaliação psicológica, assim como a terapia, é uma aliada essencial para alcançar um diagnóstico adequado. Através dela é possível enxergar sob uma nova lente, proporcionando um tratamento com maior eficácia.


Ainda existem muitos desafios nessa área, principalmente para nós profissionais de Psicologia. Mas a magia do congresso aconteceu e tive a honra de conversar sobre a temática com psicólogas, estudantes e adultos diagnosticados com TEA. Foi enriquecedor! Me sinto muito grata por ter compartilhado um pouco sobre essa população que precisa ser ouvida.


Espaço de Saúde Mental Personae

Andressa Oliveira de Souza

CRP 03/32496